O SINAL DOS TEMPOS NOVOS (A Igreja no Banco dos Réus)

Autor: Pe. Hélio Maranhão – Pastor de Tutóia.
Foto: Marcos Soares. Acervo: Elivaldo Ramos 

A Igreja, apesar da fraqueza humana de muito de seus filhos - pastores leigos, continua sua Missão PROFÉTICA.  Basta abrir os EVANGELHOS. Basta ler os ATOS DOS APÓSTOLOS.  Basta conhecer as CARTAS DOS APÓSTOLOS. A preocupação da igreja de então era converter os pagãos em verdadeiros CRISTÃOS. Era formar DISCÍPULOS do Senhor Ressuscitado.

Cumpridores da palavra de Deus. De fato a linha da Igreja dos primeiros séculos era esta. SER CRISTÃO era um risco de vida. SER DISCÍPULO DO SENHOR era alguma coisa séria. Ninguém se batizava somente por ter padrinhos. Para ter comadres para ter mais eleitores. Para pagar favores recebidos. BATIZAR-SE ou BATIZAR ALGUÉM não era pura formalidade social. Não era superstição. Nem simples tradição avienga.

Hoje, com RENOVAÇÃO da igreja, toda ela inspirada nos documentos do Concílio Vaticano II e no documento de Medellín que traduzem em linguagem de hoje o EVANGELHO DO SENHOR, ninguém mais poderá pensar em termos de um catolicismo tradicional, folclórico supersticioso, bastante alienado da vida real por quê desligado dos verdadeiros problemas do povo.

A RENOVAÇÃO da Igreja aqui no Maranhão está tendo consequências muito sérias. Os "católicos medalhões" (Frei Klopenburg) ou melhor "católicões" (Monsenhor Cincinato) ou ainda os "catolicães" estão reagindo violenta e desonestamente através de denúncias políticas,  mentiras forjadas, de processos estúpidos. A reação política (politicagem de certos politiqueiros) tem percorrido todos os becos da indignidade. Todos os corredores da desonestidade, todos os tipos de delação. TUTOYA foi denunciada muitas vezes. URBANO SANTOS e SÃO BENEDITO foram denunciados. COROATÁ foi denunciado. PIRAPEMAS foi denunciada.  CODÓ foi denunciado. VIANA E SANTA INÊS foram denunciadas... Outras denúncias, a estas horas estão sendo geradas no ventre corrupto da politicagem. No fundo de todas estas denúncias está a lama da politicagem que joga, maquiavelicamente com todos os meios para atingir seus fins.

Chegou a vez da IGREJA. Chegou a vez dos PASTORES. Chegou a hora já anunciada como SINAL DE DEUS. Este sinal foi apontado pelo Papa Pio XII, pelo boníssimo Papa João XXIII e pelo Papa Paulo VI. O fogo está queimando o palheiro, o fermento está vitalizando a massa. O sal está ardendo na carne viva do corpo social chagada de injustiças. Nunca a Igreja de Deus no Maranhão esteve tão viva. Nunca esteve tão consciente nunca esteve tão presente no coração do povo maranhense. Basta dizer que na região do Baixo Parnaíba mais de 200 PEQUENAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE se ajudando mutualmente. Lembro aqui o trabalho da MISSÃO CANADENSE em vários municípios no vale do Cumã, através da ESCOLA DA FÉ. A MISSÃO da Igreja continua. Pessoas de todos os níveis sociais convertidas (não apenas batizadas) estão procurando viver unidas como IRMÃOS e responsáveis uns pelas outras, porque a Igreja está viva, atua. E porque atua no meio do povo de todos os níveis e condições, a IGREJA SE SENTOU NO BANCO DOS RÉUS nas pessoas dos padres José Antônio e Xavier de MEAPOU.  O povo de Deus,  nós, devemos refletir. E devemos dar muitas graças, mas muitas mesmo ao ESPÍRITO DO SENHOR que através destas denúncias falsas está conduzindo a Igreja para dentro do Evangelho para ela ser não apenas a Igreja Católica (sinônimo de catolicismo tradicional) mas para ela ser a igreja VIVA,  AUTÊNTICA,  POBRE, SERVIDORA, MISSIONÁRIA, SOFREDORA,  PEREGRINA e,  libertadora em nome unicamente, em nome do senhor Jesus Cristo, única razão de ser de nossa vida e de nossa morte. A IGREJA que se sentou no banco dos réus (embora doloroso fecha parentes da verdadeira igreja do senhor, que pode ser presa, torturada, crucificada, até quase morta, mas que logo depois RESSUSCITARÁ para nunca mais sofrer nem morrer. O sofrimento dos mártires sempre foi a sementeira de NOVOS CRISTÃOS e o sangue dos SANTOS nunca criou revoltados mais santifica e transfigura a pobre terra dos homens.


MEMÓRIA JORNALÍSTICA. Matéria Publicada no Jornal Folha do Litoral do Piauí de 03 de junho de 1971. Acervo do professor Antonio Gallas. 

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