Autor: Bruno dos Santos Silva
Resumo
O
presente artigo tem como objetivo analisar a trajetória histórica da Loja
Maçônica Fraternidade Parnaibana, desde sua fundação no início do século XX até
a consolidação de seus 120 anos de existência. Com base em registros históricos
do Almanaque da Parnaíba (1953),
busca-se compreender o contexto de sua criação, sua evolução institucional e
sua relevância no cenário maçônico e social do estado do Piauí.
Palavras-chave: Maçonaria; Piauí; História; Fraternidade Parnaibana;
Sociabilidade.
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1. Introdução
A
Maçonaria, enquanto instituição filosófica, filantrópica e progressista,
desempenhou papel relevante na formação social e política do Brasil,
especialmente durante os períodos que antecederam e sucederam a Independência.
No estado do Piauí, sua presença remonta ao início do século XIX, com lojas que
participaram ativamente dos movimentos emancipatórios e da organização social
local.
Neste
contexto, a Loja Maçônica Fraternidade Parnaibana surge como uma das mais
importantes instituições maçônicas do norte piauiense, consolidando-se ao longo
de mais de um século como espaço de formação moral, intelectual e cívica.
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2. Antecedentes da Maçonaria no Piauí
Segundo
Alarico da Cunha, em texto publicado no Almanaque
da Parnaíba (1953), a presença maçônica no Piauí remonta ao
período anterior à Independência do Brasil, com registros de atividades
maçônicas já em 1820 na então Vila de São João da Parnaíba (CUNHA, 1953, p.
255).
A
chamada Loja “União Parnaibana” teve papel importante nesse período, reunindo
figuras influentes e participando indiretamente das articulações políticas que
culminaram na Independência. Entretanto, suas atividades foram interrompidas
durante o período imperial, especialmente por medidas restritivas impostas por
Dom Pedro I (CUNHA, 1953, p. 257).
Posteriormente,
com a retomada das atividades maçônicas, novas lojas surgiram no estado,
inclusive em Teresina e Oeiras, contribuindo para a expansão da Ordem.
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3. Fundação da Loja Fraternidade Parnaibana
A
fundação da Loja Maçônica Fraternidade Parnaibana ocorreu em 8 de fevereiro de 1906,
resultado da iniciativa de um grupo de maçons residentes em Parnaíba que, após
experiências e atuações em outras oficinas, decidiram organizar uma nova Loja
na cidade (CUNHA, 1953, p. 259).
Entre
seus fundadores destacam-se nomes como:
·
Coronel Sinval de Castro Silva
·
João Augusto Rosa e Moura
·
Raimundo Cunha Marques
·
Franklin Pompeu de Oliveira
·
Dr. Francisco de Moraes Correia
A
criação da Loja foi autorizada pelo então Grão-Mestre da Ordem, consolidando-se
rapidamente como um centro ativo da Maçonaria regional.
Sua
primeira diretoria foi composta por membros que já possuíam experiência
maçônica, o que contribuiu para a organização sólida da instituição desde seus
primeiros anos.
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4. Estruturação e Consolidação
Nos
primeiros anos, a Loja Fraternidade Parnaibana desenvolveu intensa atividade
iniciática e administrativa, formando rapidamente novos obreiros e estruturando
suas práticas ritualísticas e administrativas.
Ainda
em 1906, foram realizadas eleições para os cargos de Luzes e Oficiais,
demonstrando o rápido crescimento institucional. A Loja passou a atuar como um
espaço de formação ética e intelectual, alinhada aos princípios maçônicos de
liberdade, igualdade e fraternidade (CUNHA, 1953, p. 259).
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5. Dissidências e Reorganização (1909)
Em
1909, divergências políticas locais refletiram-se no interior da Loja, levando
à formação de uma nova oficina denominada “Amor ao Progresso”. Tal divisão,
embora momentaneamente desafiadora, não comprometeu a continuidade da
Fraternidade Parnaibana (CUNHA, 1953, p. 259).
Com
o tempo, as tensões foram superadas, e as lojas reconheceram a
incompatibilidade entre disputas políticas e os princípios universais da
Maçonaria. Posteriormente, ocorreu a reunificação, consolidando novamente a
Fraternidade Parnaibana como instituição central (CUNHA, 1953, p. 261).
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6. Desenvolvimento ao Longo do Século XX
Ao
longo de sua trajetória, a Loja Fraternidade Parnaibana manteve-se ativa e
influente, contribuindo para o desenvolvimento social e cultural da cidade de
Parnaíba.
Diversos
Veneráveis Mestres conduziram a Loja ao longo das décadas, entre eles:
·
Jonas de Moraes Correia
·
Raimundo Cunha Marques
·
Luiz de Moraes Correia
·
Miguel Ribeiro da Silveira
·
Manoel Bastos da Silva
·
Oscar Costa Vaz
·
Francisco Justiniano Vaz
·
Alarico José da Cunha
Destaca-se,
especialmente, a longa gestão de Alarico José da Cunha, com quatorze mandatos,
evidenciando sua relevância para a consolidação institucional da Loja (CUNHA,
1953, p. 261).
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7. Importância Social e Maçônica
A
Loja Fraternidade Parnaibana exerceu papel significativo na promoção de valores
éticos, na formação de lideranças e na participação indireta em processos
sociais relevantes.
Além
disso, contribuiu para a criação de outras lojas maçônicas no estado, ampliando
a presença da Ordem no Piauí. Sua atuação também se destacou no campo da
beneficência, característica marcante da tradição maçônica.
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8. A Fraternidade Parnaibana aos 120 Anos
Ao
completar 120 anos de existência, a Loja Fraternidade Parnaibana reafirma sua
importância histórica e simbólica. Sua trajetória reflete não apenas a evolução
da Maçonaria no Piauí, mas também a própria transformação da sociedade local.
A
permanência da Loja ao longo de mais de um século demonstra sua capacidade de
adaptação, resiliência e compromisso com os ideais maçônicos.
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9. Considerações Finais
A
análise histórica da Loja Maçônica Fraternidade Parnaibana evidencia sua
relevância no contexto maçônico e social do Piauí. Desde sua fundação em 1906,
a instituição consolidou-se como um espaço de formação moral, intelectual e
cívica.
Sua
história, marcada por desafios, divisões e reconciliações, revela a força dos
princípios que sustentam a Maçonaria. Ao longo de seus 120 anos, a Fraternidade
Parnaibana permanece como símbolo de tradição, fraternidade e compromisso com o
progresso humano.
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Referências Bibliográficas
CUNHA,
Alarico da. A Maçonaria
no Piauí. In: Almanaque
da Parnaíba. Parnaíba: 1953, p. 255–261.
Outras
fontes históricas sobre a Maçonaria no Brasil e no Piauí.


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