A partida do Sousa Filho, o poeta dos poemas ébrios



Fotos: imagem do acervo de Sousa Filho. 



A vida é algo muito singelo diante do universo. A morte pode vir sem avisar e levar a qualquer de nós, a qualquer hora e quando menos se espera.

Na tarde de hoje, 20 de fevereiro de 2026, recebi com profundo pesar a triste notícia da partida de um amigo das letras, o poeta dos poemas ébrios – e a mim me deixou a pensar, por um pedaço de tempo, que somos deveras vulneráveis. Já era perto da boca da noite, saí do escritório para o quintal, olhei para o céu e vi um céu como aquele que minha mãe me mostrava quando criança sempre que partia alguém, um “um céu de nuvens de gente que morre”.

“Era pessoa muito cheio de vida, não entendo como partiu assim tão de repente?”, eram uníssonos os comentários sobre sua partida, nos grupos de WhatsApp dos quais fazíamos parte eu, ele e outros colegas de profissão – fossem professores, fossem escritores.

Conheci o Luiz Gonzaga – prenome do poeta Sousa Filho – através da literatura em Parnaíba, cidade piauiense, por ocasião de rodas de conversas com outros literatos aos quais o havia sido apresentado pelo amigo e conterrâneo Antonio Gallas, renomado jornalista e escritor da Parnaíba. Este parnaibano de coração, mas de origem tutoiense, aquele, parnaibano nato.

Aproximei-me mais do poeta Sousa Filho após ser convidado para o lançamento de seu livro “Poemas Ébrios”, lançado a 4 de maio do ano 2024, numa agradável noite, no distinto Benitz Café, de propriedade de um casal de maranhenses, situado em Parnaíba, local preferido pelos autores. Naquele evento que reuniu maranhenses e piauienses, Sousa Filho desfez-se em lágrimas de felicidade. Imortalizava-se ali na literatura de sua terra. Ele era o retrato da felicidade personificada naquele momento. Quem esteve lá é testemunha.

Sousa Filho, como assinava seus escritos, foi destaque da capa de uma edição da conceituada Revista Piauí Poético, organizada pelo amigo Claucio Ciarlini e diagramada por Fábio Bezerra.

Os tempos passaram. Participamos, eu e Sousa Filho, de outros eventos juntos. Nos últimos dias, o havia convidado para participar de uma Coletânea Literária sobre a cidade de Paulino Neves, onde ambos somos professores. Ele de Língua Portuguesa, eu de Geografia. Naquela cidade deixa seu nome marcado na Educação. Por dois anos, foi premiado como professor de destaque, resultado de seu empenho como educador.

Amante da Língua Portuguesa, Sousa Filho era um apaixonado pelas letras e também pelo futebol, pela boa música e por vezes se entregava a um suco de cevada.

Quando nos encontrávamos era sempre distinto, alegre. Mas, hoje, entregou-se ao “único mal irremediável: a morte".

Meu amigo, vá em paz. Para nós fica a lembrança de um cara cheio de vida e de sonhos. Fica também seu legado na literatura parnaibana, com a participação em várias obras coletivas, bem como o legado na educação paulinoense, mas também o exemplo de cidadão, de pai, de marido que foi para os seus entes queridos.

Vá com Deus, amigo!

Foto: Aquiles Lima. 




Elivaldo Ramos, 20.02.2026, Parnaíba-PI.

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