A CIBERCULTURA DA INTERNET, BLOGS E INFLUENCIADORES DIGITAIS EM TUTÓIA

 

Imagem: Divulgação

 

Desde o ano 2021 venho desenvolvendo pesquisas em várias áreas (da Históia a Geografia) de Tutóia e tenho feito várias anotações que tem servido de subsídio para livros que estou a escrever. Uma delas trata deste post de hoje, senão vejamos. 

A internet discada chegou a Tutóia no início do século XXI, com acesso restrito a poucos usuários. A partir da segunda década do século XXI, provedores passaram a operar de forma mais ampla, alcançando a sede municipal e povoados como Bom Gosto, Porto de Areia e Barro Duro.

Atualmente, atuam no município oito provedores de internet: Multilink, StarOne, Ultranet, InforTelecom, OrlaTelecom, Newinfor, Pix, NetFácil e LíderNet, com cobertura aproximada de 80% do território, incluindo localidades mais distantes, como Santana dos Carvalhos, São Benedito, já atendida por fibra óptica ou internet via rádio.

Nesse contexto, consolidaram-se blogs como os de Elivaldo Ramos, Antônio Amaral, Ariston Caldas e Neto Pimentel, além do crescimento dos digital influencers, que passaram a exercer papel central na comunicação, publicidade e divulgação do comércio local — função que, até meados dos anos 2000, era desempenhada majoritariamente pelas rádios comunitárias.

Citamos alguns influenciadores digitais tutoienses em atividade com maior número de seguidores: Zé Buzin – 40 mil seguidores (@zebuzinfilho), Maura Rocha – 99 mil seguidores (@maurarocha.oliver), Lorrayne Freitas – 71 mil seguidores (@lorraynefreitas_), Wanessa Ewbank – 108 mil seguidores (@wanessa_ewbank2), Laryh Senna – 35,2 mil seguidores (@laryh_senna), Tutóia em Movimento – 77 mil seguidores (@tutoiaemmovimento), Mariana Vieitas – 30,3 mil seguidores (@marianavieitass) e Dudu Silva – 6 mil seguidores (@duh.duhsilva).

Contudo, esse número de seguidores é volátil, pois influenciadores podem ganhá-los ou perdê-los em curto espaço de tempo. Além disso, a própria rede social também é instável, uma vez que contas podem ser hackeadas ou banidas. Ainda assim, é inegável que, na atualidade, trata-se de um meio de comunicação capaz de gerar elevado engajamento e monetização sem a exigência de uma agência física ou mesmo em grande volume de investimento em equipamentos caros.

A título de exemplificação, em uma análise local, observa-se a volatilidade dos números de seguidores nas redes sociais. Maura Rocha, que possuía mais de 105 mil seguidores, reduziu para cerca de 99 mil. Zebuzin mantinha uma conta com mais de 105 mil seguidores, porém a perdeu e atualmente contabiliza aproximadamente 40 mil. Lorrayne, por sua vez, cresceu de 67 mil para 71 mil seguidores, enquanto Wanessa Ewbank apresentou expressiva expansão, passando de 47 mil para 108 mil.

Em sentido oposto, Laryh Senna registrou queda de 35 mil para 34 mil seguidores, assim como Mariana Vieitas, que passou de 30 mil para 28 mil. Já o perfil Tutóia em Movimento apresentou crescimento significativo, saindo de 33 mil para 77 mil seguidores. Por fim, Dudu Silva teve sua conta anterior, com cerca de 30 mil seguidores, perdida, e atualmente soma aproximadamente 6 mil.

Essa análise foi realizada a partir de acompanhamento direto feito pelo autor ao longo dos anos de 2024 e 2025, evidenciando o caráter dinâmico e instável das redes sociais.

De todo modo, ao longo do tempo, a comunicação em Tutóia evoluiu de forma gradual, acompanhando transformações tecnológicas e sociais. De cartas e alto-falantes às redes digitais, esses meios têm sido fundamentais para integrar comunidades, preservar memórias e reafirmar a identidade coletiva do município.

Este modelo, na atualidade, é denominado de jornalismo mobile. Na definição de Jerónimo (2017, p. 85), “os dispositivos móveis têm assumido um crescente protagonismo no contexto dos media e no exercício do jornalismo. Consequentemente, a comunidade científica tem-se debruçado sobre estes temas, desde a adaptação dos media tradicionais ao mobile, passando pelo desenho e estrutura de notícias e apps, bem como em relação às rotinas de produção”.

Com apenas “um smartphone” os digitais influencers se permitem “fotografar, filmar, editar e publicar” (Jerónimo (2017, p. 86). Eles produzem tanto notícias como publicidades, gerando receitas, ou seja, a denominada monetização.




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