quarta-feira, 19 de julho de 2017

Arraiá do Bom apesar de não ter tido apoio público, este ano sagrou-se como a melhor festa julina de Tutóia

Nonato Caema (esquerda), brincante (centro) Maxuel Rodrigues (direita), 
um dos organizadores do evento/foto Paulo Silva
Falar do Arraiá do Bom e não lembrar de quem da nome ao parque folclórico por onde tantas danças se apresentaram durante esses vinte anos de festa seria, talvez, uma injustiça com um dos maiores puxadores de toadas de Tutóia, seu Waldemar do Bom Gosto, que em outrora cantou a simplicidade das brincadeiras culturais "Minha Fantasia era feita de papel, e um pedaço de vidro, eu colocava no chapéu, assim mesmo ele brilhava como estrelas lá no céu". Este brilho da toada, pode ser compreendido como o brilho dessa festa popular, que vence o tempo, que supera obstáculos, que continua mantendo viva a tradição de uma comunidade, pois "quem vive a cultura, sabe o tamanho de sua importância."

Os amantes da cultura popular de Bom Gosto, seguiram a risca o que cantou por anos Bartolomeu dos Santos “O Coxinho”, "São João mandou, que é pra mim fazer, que é de minha obrigação, eu amostrar meu saber", e que saber é esse? O saber se empenhar, o saber ser determinado e não desistir diante dos desânimos que tendenciavam levar a desistência de algo tão cansativo, porém, gratificante em cada aplauso, em cada palavra de apoio, para aqueles que estão a frente, organizando um evento de encanto estonteante. 

Por alguns instantes, a tristeza permeou o semblante dos organizadores, diante das incertezas em cumprir com as obrigações de cada apresentação agendada, muitas de outras cidades e até estados, mas a união de um povoado fez jus a frase célebre que diz: "Juntos, somos mais fortes". Forte no sentido da vontade, do querer fazer acontecer, sensibilizando pessoas e transformando a tristeza inicial numa alegria contagiante refletida em cada apresentação, em cada coreografia, em cada gingado das centenas de brincantes que por lá passaram. 

Nildo Lage, externa como ninguém, o significado de tudo isto, "A cultura de um povo é o seu maior patrimônio, preservá-la é resgatar a história, perpetuar valores, é permitir que as novas gerações não vivam sob as trevas do anonimato". E por acreditar piamente na assertiva de Lage, o trecho da toada do saudoso Humberto de Maracanã fundamenta: "Esta herança foi deixada por nossos avós, hoje cultivada por nós, pra compôr tua história Maranhão". Trazendo para a realidade local, o Arraiá do Bom é uma herança cultivada por essa geração (organização), pra continuar compondo a história da cultura de Bom Gosto e consequentemente, de Tutóia. 

Parabéns a organização pela belíssima e contagiante festa e ao Neto Pimentel pelo texto. 

Texto: Neto Pimentel


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Tutoiense nato, professor de Geografia da rede municipal e particular de ensino em Tutóia e Paulino Neves, Licenciado em Geografia pela UESPI e Pós Graduado em Educação Ambiental pelo IESF, Pós Graduado em Gestão Pública Municipal, UEMA, 2016. Este blog é um blog de reportagens de acontecimentos e também de publicação de imagens (fotos). Sou um apaixonado por fotos. Nascido em 1980. Fui presidente de Associação de Moradores do povoado Bezerro (Tutóia-MA). Atualmente estou presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Tutóia, Paulino Neves e Santana do MA. Milito em ações sociais nesses municípios.